Frutos de uma [BOA] aula.

No último semestre da UEFS além da correria, houve alguns momentos de profunda inspiração, como no dia que o professor e escritor Roberval Pereyr tentou (e conseguiu, eu acho) incitar seus alunos a uma atividade de produção literária. As instruções eram simples e um tanto assustadoras, dever-se-ia encarar uma folha de papel em branco e num surto repentino intencional de sentimentos transcrever TUDO, absolutamente TUDO, que viesse a mente. A principio o meu primeiro pensamento foi: "isso não vai dar nada que preste" mas ainda não "tava" valendo.
Bem... a pedidos, eis aí o que saiu da minha singela mente que me questionava constantemente o que é que eu estava fazendo ali...


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"Tô com raiva, tô com raiva, tô com raiva, tô com raiva, tô com raiva, tô com raiva, tô com raiva, tô com raiva ........ mãos trêmulas que tentam escrever, estou com raiva. Processo de auto-motivação iniciado: ESTOU COM RAIVA! Neurônios defuntos que tentam entender as loucuras de Roberval. Dopamina; Maconha; Coca... filosofia e conhecimento em excesso: tudo que sobra é resto. Vômito, margenta, azul, amarelo, roxo, vermelho, verde, sangue, interrogações, reticências, calotas polares derretendo, trantorno bipolar, não quero mais escrever. Branco! E assim é: Uma grande cabeça no meu corpo fino. Vazio. Excasso de vocabulário. Quero ir pro infernato, a casa dos internos dessaborosos que O busca e nisso encontra alento. Preguiçoso que sou, motivação que acaba. Não estou mais com raiva.
Risos. Gargalhadas. Suspiro.
Ponto
Alexandre"


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... pois é....

oO
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Eu e Nietzsche vamos ao culto.

Após muito insistir o meu mais novo amigo Friedrich Nietzsche aceita visitar a igreja que eu congrego. Não foi lá uma das melhores pessoas à se convidar para assistir a um culto evangelístico, mas é surpreendente o quanto eu me sinto bem em sua presença. É certamente uma companhia valorosa e a medida que eu o conheço, mais nós dois nos entendemos.
Aconteceu noutro dia quando o encontrei online na internet, um milagre por sinal, já que sites de relacionamentos e menssageiros instantâneos não é muito o forte dele, (na verdade foi mais uma das consequências de nossa amizade, além de toda a sua popularidade na "net" quando "deu as caras"). Sendo assim, o fato de encontrá-lo e de saber do seu ideal principal de defesa a vida, convidei-o para participar comigo de mais uma celebração festiva no templo. Nietzsche já foi estudante de teologia e se não me engano, o pai dele era pastor em alguma igreja protestante de lá da Alemanha (mas quanto a isso não sei informar... ele não fala muito do pai), todavia de uns tempos pra cá ele tem criado uma aversão terrível ao cristianismo e outro dia estavamos conversando sobre a necessidade de um deus, coisa que ele alega ser totalmente inviável para o homem moderno.
Pois bem, surpreendentemente nós dois estavamos a caminho do templo (muito elegantes por sinal. Eu com meu terno verde e gravata prateada e ele... bem ele estava com aquele mesmo bigode no minímo curioso), conversamos então sobre o descaso da prefeitura na manutenção das calçadas e sobre a falta de iluminação nas ruas e ÓBVIO, sobre as nossas respectivas crenças e ideais. Engraçado, por um momento chegamos a mesma conclusão: nós dois cremos, valorizamos e defendemos totalmente a VIDA.
Chegando ao local, tivemos de subir pela rampa de acesso ao lado do estacionamento, um pedido dele, que não neguei já que ele se declarou tímido e por saber que a nossa equipe de recepção nos cultos está melhorando a cada dia. Foi então, ao entrar no salão reservado a parte litúrgica e ao sentarmos no ante-penultimo banco, que a coisa mais surpreendente destes dias aconteceu: Eu vi o meu companheiro de café e prosa, inclinar a sua cabeça, e com os olhos fechados, fazer a reverência que todo crente faz no préludio dos cultos. Não demorou muito, na verdade durou uns 18 a 20 segundos, mas foi íncrivel, quem o conhece sabe o porquê. Foi nesse momento que o som do violão quebrou o silêncio com o primeiro acorde.

[...]

Aguardem a segunda parte!*


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Respostas antecipadas:

  1. Não! Eu não falo alemão ¬¬
  2. Obrigado por ler... Agora comente!!! (Faça um blogueiro feliz) ;)
  3. Eu estou bem, obrigado! =)
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* Fazê-la(lo) esperar é a única garantia que você vai voltar..rs 8)

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Até que ponto Volubilidade?

O grande escritor Voltaire em seu conto “O mundo como Está”, conta a história de Babuc, um nômade componente do povo cita que habitava o norte da Europa e da Ásia. Este é enviado pelo anjo Ituriel, para avaliar as condições sociais de Persépolis, cidade Persa que causava indignação aos demais anjos, pela sua má fama. Através do relatório de Babuc, se decidiria a destruição ou conservação da cidade. A jornada do emissário é repleta de constatações que o enche de ira, ou gozo. Para sua surpresa, Babuc admira e compreende as características discrepantes existentes em Persépolis, convencendo Ituriel a preservá-la.

Destaca-se então, o dilema profundo vivido pelo protagonista, que ora aprova, ora condena as atitudes dos habitantes da cidade. Voltaire ressalta o julgamento precipitado do homem mediante as situações, mostrando o quanto é volúvel.

A leitura é útil já que trata-se de uma crítica aguçada também aos problemas sociais contemporâneos e a medida que se entende, que este é um claro exemplo desta forma literária chamada conto, que de forma curta e composta de personagens, climax e desfecho, consegue transmitir uma mensagem central repleta de lições morais para serem analisadas.


"Até quando volubilidade?" é o tema que dá título a este post devido a uma observação minha dos dias atuais e seus componentes fundantes: pessoas, ambiente e situações.

No post de 12 de Dezembro de 2008 já falamos, (na verdade o correto seria eu falei... mas deixa pra lá) sobre as mudanças climáticas, ressaltando a facilidade que o clima tem mudado ultimamente, por isso vamos nos restringir as Pessoas, item 1 que compõe o dia. se você não leu, ou não lembra do post referido aqui CLIQUE aqui: http://olhardeale.blogspot.com/2008/12/eu-e-um-clima-temperamental.html

A inconstância é tão presente neste mundo, que constantemente precisamos nos adaptar a ele. No último post eu dei uma leve pincelada sobre as mudanças de concepções morais a partir do espaço/tempo, o que faz por consequência o universo ao nosso redor mudar de perspectiva. Todavia dentro de uma sociedade, as súbitas mudanças causam conflitos no mínimo irritantes. Aqui entra as questões como desigualdade social e multiplicidade de ações, como corrupção e misericórdia. Voltaire, um iluminista francês consegue através da sua crítica mostrar o quanto isso é comum desde o século XVII, vemos por exemplo, a constante variabilidade da Lei em algumas circunstâncias.

O que mais me preocupa (além do fato de já ter mudado cinco vezes o caminho deste post) é que toda essa inconstância do mundo, das situações ao nosso redor, nos afeta psicologicamente, criando uma forte tendência a mudanças precipitadas de opinião, de humor e de sentimentos. Passamos de Amor à Ódio num piscar de olhos. Mudamos de partido a cada nova notícia e Ora estamos alegres, ora estamos tristes. O caos afeta-nos tanto, que tem crescido o número de portadores de depressão maníaca, ou transtorno bipolar, caracterizado pelas súbitas mudanças de humor.

[Ah... quero escrever mais não...]



Para conhecer o conto de Voltaire o qual fiz uma resenha no início, acesse http://www.4shared.com/file/24097680/bb030d69/Voltaire_-_O_Mundo_Como_Est.html?s=1 e faça o download dele. Vale a pena!

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